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Finge que me paga que eu finjo que trabalho

Artigo fala dos estragos causados por profissionais não qualificados mas que têm aquele "precinho camarada". O mercado não comporta mais os "mágicos" e "paraquedistas".

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21/10/2008 - Wagner Bastos*

As teses aprovadas pela comissão nº. 4 - Marketing Promocional, Relacionamento com Diálogo - do 4º. Congresso Brasileiro de Publicidade nos permitem vislumbrar luzes no fim do túnel, mesmo que ele seja ainda um pouco longo.

No último dia sete, o debate promovido pela AMPRO, no 5º. Ebemp - Encontro Brasileiro das Empresas de Marketing Promocional, do qual fui um dos debatedores, nos permitiu refletir mais amplamente e com a presença de alguns dos maiores nomes do marketing promocional do país, as teses Certificação por Competência, Direito Autoral, Remuneração e Concorrência.

Foram diversas opiniões, todas com muita consistência, e que demonstraram finalmente que há um esforço contundente para mudar o relacionamento entre clientes e agências, principalmente no nosso setor, que deve movimentar mais de 25 milhões de reais neste ano.

Estamos num momento de transição em que ambos precisam estabelecer parâmetros que garantam o bom trabalho dos profissionais e os resultados pretendidos por todos. O mercado corporativo hoje é marcado por profissionais muito qualificados, porém muitas vezes com pouca ou nenhuma experiência. Soma-se a isso a prestação de serviço de profissionais também com pouca experiência, que invariavelmente trabalham com pouco prazo e verbas, imagine leitor, o resultado dessa receita.

A conta não fecha: rapidez com qualidade e preço baixo.

Uma estratégia equivocada de marketing não mata, não prende, nem tampouco cai na cabeça do cliente, mas traz prejuízos incalculáveis para as empresas. Se os profissionais permanecessem mais tempo à frente de uma marca, talvez tivessem oportunidade de mensurar o estrago causado por um marketing mal planejado, mas a dança das cadeiras é freqüente.

Exigir que a agência seja experiente e qualificada (certificação), promover uma concorrência justa e leal, remunerar com respeito e com o mesmo respeito garantir a autoria de uma idéia é uma preocupação que deveria partir dos clientes, mais do que das agências, afinal o ser humano busca qualidade em tudo o que compra, muitas vezes preterindo preço baixo em prol da satisfação, e em marketing não pode ser diferente. É a ciência popular do finge que me paga que eu finjo que trabalho, do "veja bem".

Numa analogia simplista, a situação atual pode ser comparada com a pirataria que assola o mundo das artes. Quem compra fomenta o mercado pirata e estimula a prática. Contratar um profissional sem referência, sem experiência e know-how, simplesmente porque o preço é melhor, é correr o risco do produto adquirido ter vida curta, não ter garantias, além de que isso promove o desinteresse na formação profissional, expondo a empresa cada dia mais a um mercado pobre, sem opções. Estratégias piratas são vistas diariamente, abreviando a vida de produtos e marcas.

Precisamos todos - agências e clientes - combater a pirataria no marketing. A luz no fim do túnel foi mesmo esse último Ebemp, que mostrou a indignação de profissionais determinados a mudar o cenário, encerrando o evento com propostas conclusivas. Porém a mudança começa com cada um de nós dando o primeiro passo.

O meu já começou. Tenho dito não a propostas indecentes de alguns clientes e lanço um desafio a todos: Digam Não a Pirataria no Marketing Promocional.

* Wagner Bastos é Consultor, Professor da PUC-Campinas e Diretor de Relações com o Mercado da AMPRO Campinas - Associação de Marketing Promocional.


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