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Bancos oferecem atendimento especializado a pequenas empresas

Ao longo dos últimos três anos, micro e pequenas empresas têm mostrado aos grandes bancos do País que são peças importantes no quebra-cabeça do desenvolvimento.

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08/10/2008 - Agência Sebrae

E as instituições financeiras têm percebido isso. Afinal, o segmento é formado por 14,8 milhões de pequenos negócios (4,5 milhões formais e 10,3 informais), que geram 28,7 milhões de empregos.

Hoje, os bancos estão mais atentos às micro e pequenas empresas. Tanto é que oferecem produtos e serviços específicos para o segmento. Afinal, as micro e pequenas empresas representam 99,23% dos negócios do país. E na conjuntura atual, os pequenos negócios estão vivendo mais, ou seja, superando os dois primeiros anos de atividade, considerados decisivos para o empreendimento. Esse novo quadro exigiu que as instituições financeiras se adequassem, ofertando mais crédito, criando linhas diferenciadas e oferecendo atendimento especializado.

O Banco do Brasil, por exemplo, conta com dois milhões de micro e pequenas empresas correntistas. São empresas que, de acordo com os critérios da Lei Geral, faturam até R$ 2,4 milhões. Este ano, o banco disponibilizou carteira de crédito no valor de R$ 30,8 bilhões. Desse valor, R$ 29,2 bilhões já foram utilizados por micro e pequenas empresas. O comércio é o segmento que mais tem utilizado esses créditos, com 46,2% (R$ 13,5 milhões), seguido da indústria, 31,7% (R$ 9,2 milhões), e do serviço com 22,1% (R$ 6,4 milhões).

O comportamento das micro e pequenas empresas também têm sido alvo de estudo dos bancos. De acordo com o Banco do Brasil, as principais dificuldades enfrentadas pelos micro e pequenos empresários na hora de acessar o crédito são: projetos considerados inviáveis pela instituição pouco conhecimento do negócio e do mercado de atuação insuficiência de garantias.

Além de inexistência de planejamento financeiro precariedade das informações disponibilizadas às instituições financeiras desconhecimento das alternativas creditícias disponíveis no mercado e histórico de inadimplência. "Quando um desses fatores atinge o empresário de pequeno negócio a conseqüência é a opção por alternativas mais caras, como o cheque especial e os agiotas", afirma o gerente executivo da diretoria da Micro e Pequena Empresa do Banco do Brasil, Kedson Macedo.

O Banco do Nordeste também tem desenvolvido ações visando diminuir a distância entre micro e pequena empresa e o crédito. "Queremos consolidar o Banco do Nordeste como o Banco da Micro e Pequena Empresa na Região, ofertando 15% do volume de recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) e elevando a base de clientes em 40%. Dentre as nossas diretrizes também está a simplificação dos procedimentos e normas operacionais do Banco, visando facilitar o acesso ao crédito para as micro e pequenas empresas", explicou Kennedy Montenegro de Vasconcelos, da área de Ambiente de Negócios com Micro e Pequena Empresa e Pessoa Física do Banco do Nordeste.

Em 2007, o volume de recursos orçados para crédito a micro empresas e empresas de pequeno porte foi de R$ 600 milhões. O volume de operações contratadas superou em 25% o orçamento previsto, atingindo um montante de R$ 753,1 milhões. Para 2008, foi estabelecido um orçamento de R$ 1 bilhão. Em junho de 2008, já tinham sido realizados 49,5%, com um volume de contratações na ordem de R$ 495,4 milhões, e a concretização de 32.551 operações.

Na Caixa Econômica existem, hoje, 701 mil micro e pequenas empresas correntistas que utilizam a carteira de crédito no valor de R$ 7,4 bilhões. "Em cada uma das agências existe um gerente empresarial capacitado para atender os empresários. Na matriz da Caixa existe uma Superintendência específica para micro e pequena empresa", afirma Sérgio Netto Amândio, da Superintendência de Micro e Pequena Empresa. Até o fim deste ano serão disponibilizados pelo banco R$ 80 bilhões para o crédito. Destes, R$ 33 bilhões serão destinados para pessoa jurídica.

Os principais bancos do País afirmaram na semana passada em Brasília que a crise financeira internacional, que agora de alastra pela Europa, não irá afetar a disposição das linhas de crédito disponíveis às micro e pequenas empresas. Como precaução, o Banco Central anunciou, na tarde desta segunda-feira (6), um pacote de medidas para conter a disparada do dólar, que chegou a superar os R$ 2 na quinta-feira (2), tendo momentos em que foi cotado a quase R$ 2,20. Entre as medidas estão o aumento do compulsório – dinheiro recolhido pelos bancos ao Banco Central – sobre depósitos à vista, a prazo e sobre a poupança.

A carteira de crédito do Bradesco, no segundo semestre de 2008, registrou R$ 181,6 bilhões. Desse valor, as micro e pequenas empresas contrataram R$ 49,8 bilhões, representando 43,09% do montante total. Em 2007, o banco também constituiu uma diretoria no segmento varejo para atender exclusivamente micro, pequenas e médias empresas, com faturamento até R$ 30 milhões/ano.

Ao final de 2005, o Bradesco assinou convênio de cooperação técnica com o Sebrae visando, dentre outras ações, a capacitação gerencial. De lá pra cá, houve aumento do quadro gerencial, passando de 3.335 gerentes, em 2007, para 4.617 em setembro de 2008, demonstrando evolução na mão-de-obra especializada de 38,44%.

O HSBC, em agosto de 2008, tinha disponível para as micro e pequenas empresas limite de crédito de R$ 860 milhões, já tendo sido utilizados R$ 221 milhões. No mesmo período em 2007 esses valores eram de R$ 560 milhões e R$ 151 milhões, respectivamente. Ou seja, o banco passou a disponibilizar 54% a mais de recursos para o crédito. Também atento a questão do atendimento especializado, o HSBC firmou em 2007 convênio com o Sebrae, com o objetivo de ampliar o atendimento e a melhoria do acesso ao crédito por micro e pequenas empresas.


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