30/07/2010 - Rogerio Lubk / Revista INCorporativa
Dados do Ministério do Trabalho e Emprego que divulgamos há pouco tempo na edição online resultaram em um turbilhão de “retweets”, de e-mails indignados e comentários obscenos que obviamente não foram aprovados.
Leia o texto: Aumenta emprego para quem tem mais de 50 anos
Segundo o Ministério, 32,7 mil pessoas acima dos 50 anos foram reempregadas, contra 16,8 mil registros no ano de 2001. Primeiramente, estes dados englobam apenas a região metropolitana de São Paulo no trimestre inicial deste ano, refletindo o momento favorável da economia e do mercado formal, além do fato de o emprego ter crescido pouco nos anos 80 e 90, levando pessoas à informalidade, estas que retornam agora. Em segundo lugar, são estimados oito milhões de desempregados no País todo, dentro de uma população de quase duzentos milhões. Tivemos, em março, a menor taxa de desemprego dos últimos doze anos. Então o que está errado?
Irrefutável é que grande parte destes desempregados, em uma faixa de idade de maior estabilidade emocional e experiência de vida, não possui qualificação suficiente para as vagas abertas mesmo com vasta experiência em diversas empresas.
Ainda, temos os mais jovens. Consideremos apenas aqueles com maior qualificação, mais esclarecidos, mais abertos às mudanças, mais “antenados” à tecnologia de forma geral, com um sentimento e desejos enormes de crescimento e direcionamento de carreira. Só que a maioria não possui experiência.
O que escolher? O de mais idade, com menos tempo de “banco de escola”, ou o mais jovem, recém formado e como menos ou nenhuma experiência?
Lamentavelmente as empresas estão exigentes demais e acabam por não escolher um ou outro, muitas vezes ficando com as vagas em aberto. Em contrapartida, quando encontram o profissional que cumpra tais parâmetros, o salário não é compatível com a exigência. Em síntese, todos querem um colaborador multitarefa, mas poucos querem – ou podem – pagar um salário compatível.
Passou da hora de as empresas abrirem os olhos e os processos seletivos em busca não de parâmetros pré-estabelecidos de uma época em que havia – não que ainda não haja – excesso de candidatos. A menos que esteja realmente disposta a pagar por isso ou a qualificar o contratado, o que a maioria com certeza não está. O fato de o candidato ter ou não formação na área não garante e nunca garantiu um bom desempenho, nem mesmo nas áreas que exigem formação específica ou especializada, como médicos, dentistas, engenheiros, entre outros. Há bons e maus profissionais, em ambos os casos.
Este tipo de procedimento ainda é mais comum em grandes empresas que avaliam centenas de candidatos. Nas micro, pequenas e até nas médias, felizmente é levada mais em conta a capacidade do candidato em desenvolver a função para o qual é contratado, sua habilidade e afinidade com o trabalho, sendo outras habilidades consideradas como bônus. Até porque tais empresas não possuem recursos para manter candidatos qualificados demais.
Da mesma forma, muitos recrutadores já perceberam que pedir nível superior, línguas ou experiência como “nota de corte” para alguém que fará, por exemplo, apenas atendimento telefônico, não é uma solução adequada. Em pouco tempo o profissional sentirá sua potencialidade sendo massacrada e, fatalmente, procurará por outra oportunidade. Falo de experiência própria neste caso.
Como costumo dizer, vestirei a camisa da empresa. Desde que a empresa não me dê uma reles camiseta e, pior, vários números menor.
* Rogerio Lubk é editor da Revista INCorporativa