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Brasil digital e a necessidade de infraestrutura de TI

Realidade hoje: acessos intermitentes, quedas bruscas na velocidade das conexões, sites e serviços derrubados

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29/07/2010 - Maurício Ruiz

O ano de 2010 começou muito promissor para o Brasil de um modo geral e para o mercado de TI e Telecom em particular. Driblamos a crise com maestria, o número de lares equipados com PCs continuou na rota do crescimento, e empresas e governos retomaram seus planos de investimento com força total. O governo renovou a "Lei do Bem", o que acelera a inovação e a adoção de novas tecnologias pelo mercado, e agora trabalha o Plano Nacional de Banda Larga e a Banda Larga Popular.

Terminamos o ano passado com 67,5 milhões de brasileiros acessando a Internet, de acordo com pesquisa do Ibope. Já a 5ª Pesquisa Sobre Uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação no Brasil (TIC Domicílios 2009), realizada pelo CETIC.br, aponta que o número de lares com computadores cresceu de 25% para 32% no ano passado - o computador doméstico também ultrapassou a LAN House como ponto de acesso para a população.
Todas essas características indicam para um crescimento bastante significativo no número de PCs e especialmente no número de brasileiros conectados à Internet. Iremos trocar muitos dados pela rede em 2010, e este número deve crescer exponencialmente na próxima década. E tudo isto é muito bom para o desenvolvimento do país, mas o mercado também precisa conscientizar-se dos gargalos e obstáculos do caminho que leva a este cenário ideal.

Um ponto crítico neste cenário - que tem potencial de enviar para o exterior boa parte dos serviços de Internet - é o desequilíbrio entre o número de PCs com acesso a Internet e o número de servidores existentes no país para suprir a demanda de dados. Ou seja, têm-se cada vez mais dispositivos acessando a Internet, mas o número de equipamento que fornecem os conteúdos continua com crescimento pequeno. Para fins de comparação, enquanto países desenvolvidos possuem um servidor para cada 25 PCs, no Brasil a média é de um servidor para cada 100 PCs, enquanto países considerados "emergentes", como Rússia e Índia, possuem média de 70 PCs por servidor. Resultado direto deste desequilíbrio - quando aliado a problemas na infraestrutura de telecomunicações - são os acessos intermitentes, as quedas bruscas na velocidade das conexões, sites e serviços derrubados ao menor sinal de atividade acima do normal.

Outro reflexo se dá na nossa capacidade de oferecer Internet de Banda Larga a uma velocidade decente, essencial para que a população do Brasil tenha acesso aos mais modernos serviços oferecidos na rede. Uma pesquisa recente da consultoria Akamai coloca o Brasil na 35ª posição na velocidade média de banda larga, de uma lista de 45 países, com uma velocidade média de 1,08 Mbps. Consideravelmente abaixo da média mundial (1,7 Mbps) e de nossos vizinhos, como Chile (2,22 Mbps) e Colômbia (1,45 Mbps). Menos de 10% da velocidade média na Coréia do Sul, que é de 14,6 Mbps.

Como podemos pensar no crescimento do Brasil sem rever nossa infraestrutura básica de serviços de comunicação e Internet? Está na hora do país repensar esta estrutura e começar a investir de forma inteligente para melhorar a disponibilidade dos serviços e conexões, caso contrário o "Brasil Digital" que queremos não virá a se concretizar. Perderemos competitividade frente aos demais países emergentes e uma grande oportunidade para a educação, a cultura e os negócios no país. Começou a contagem regressiva para que o país trabalhe esta questão e não se veja em um beco sem saída digital.

O aquecimento virá neste ano, com as primeiras eleições com campanhas no mundo virtual. A prova dos nove acontece dentro de poucos anos, com a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Em outras palavras, temos menos de meia década para absorver todos os novos milhões de brasileiros utilizando banda larga, resolver os gargalos na infraestrutura de comunicação e oferecer uma experiência online de qualidade para todos os cidadãos do mundo acompanhando estes grandes eventos.

* Maurício Ruiz é Diretor para o Segmento Corporativo da Intel Brasil
 


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