06/07/2010
Tanto para quem busca um lugar ao sol no mercado de trabalho quanto para os que desejam se realocar, por meio de um novo emprego ou com o próprio negócio, o momento de tomar uma atitude é agora.
O otimismo gerado pelo tripé Pré-Sal, Copa 2014 e Olimpíadas 2016 gera demanda por profissionais e serviços de uma variada gama de ramos, envolvendo praticamente toda a cadeia produtiva. Como muitas áreas estarão em evidência, desde o produtor rural até o engenheiro serão requisitados pelo novo momento de crescimento.
Para aproveitar o momento sem perder tempo e, principalmente, dinheiro, tanto o futuro empregado quanto o potencial empreendedor precisam estar atentos para a capacitação, atestam especialistas em gestão empresarial e recursos humanos.
Entre as áreas com boa perspectiva dentro do empreendedorismo, a apicultura é um desses exemplos em que os ganhos do produtor serão equivalentes ao grau de aperfeiçoamento técnico no setor, que já observa crescimento. “Está havendo uma procura maior”, atesta Guilherme Carlos de Oliveira Nunes, presidente da Associação Bauruense de Apicultores (ABA).
Segundo ele, a tendência é que a produtividade aumente em 30% nos próximos anos. Atualmente, calcula, a produção anual per capita de mel varia entre 22 e 26 quilos, sendo que o alimento concebido na região, detalha, é bastante apreciado no País. “Somos fortes na produção do mel cipó uva, que é muito saboroso”, valoriza o produto.
O estimado crescimento da economia para os próximos anos fará com que os produtores garantam, além do alimento, a seiva para a industrialização de subprodutos de outras áreas, como a estética.
Para tanto, o apicultor deverá estar preparado, algo que, para Nunes, não será complicado. “Hoje o pessoal já se estrutura melhor. O principal é investir em qualidade, que dá retorno sim”, recomenda.
A oportunidade para os produtores por meio da próxima Copa é atestada pelo consultor do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) de São Paulo, Augusto Aki. Segundo ele, por meio da assessoria de imprensa da entidade, não apenas o mel, mas produtos diferenciados, como própolis e geleia real, terão grande saída.
“A Copa vai gerar oportunidades de se produzir mais quantidade e com mais qualidade”, assegura. Contudo, ressalva o analista, o produtor terá que se transformar em melhor fornecedor.
Reação em cadeia
Interligada como uma colmeia, a cadeia produtiva beneficiada pelos três principais fatores que engrossarão o caldo da economia brasileira nos próximos anos é vasta. Particularmente entre os candidatos a empreendedores, o mais importante, recomenda o também analista Fausto Simões de Andrade Neto, do Sebrae de Bauru, o melhor para se aproveitar o momento é, sobretudo, planejar e inovar, mesmo que em nichos até mesmo saturados.
“É possível até mesmo investir nas áreas mais simples ou saturadas, desde que saia da mesmice”, orienta Andrade Neto, ao citar como exemplo a comerciante Luciana Ortega Maniezi Macre.
Destaque em reportagem do JC na semana passada, a comerciante encontrou um novo filão dentro do setor alimentício, ao oferecer produtos da linha antroposófica, que, a grosso modo, mantêm todas as características naturais de pães, bolos, pizzas e demais massas integrais.
“Ela vende saúde. Isso é um comportamento empreendedor”, elogia o analista do Sebrae. “É preciso estar antenado às tendências”, acentua. Uma das tendências, reforça, é a busca por produtos que aliem qualidade ao bem estar.
Conforme o analista, muitos novos empreendimentos não vingam porque seus donos instalam o negócio não por oportunidade e, sim, necessidade. Outro fator determinante entre sucesso e fracasso, salienta, é o discernimento.
“Oportunidade é diferente de uma boa ideia. Ela surge quando alguém está disposto a pagar por ela”, diferencia. “O segundo passo é estruturar o projeto. O terceiro é montar o empreendimento ou não”, ensina. “Visão míope, chocolate. Visão estratégica, presente”, ilustra.
ASN/JCNet