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Cartão corporativo: questão de inteligência
Uma indispensável ferramenta de produtividade e controle
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17/06/2010 - Fabio Steinberg *
Em mercados desenvolvidos o uso do cartão de crédito corporativo pelos colaboradores das empresas há muito tempo deixou de ser visto como opção democrática do gestor para se tornar o que é: uma indispensável ferramenta de produtividade e controle.
Ninguém mais discute nas economias maduras sobre a sua utilização, mas sim como expandir o mecanismo para monitorar despesas. Enquanto isso, empresas brasileiras amargam ínfimos 25% de taxa de penetração desse meio de pagamento. O que ainda faz o dirigente local tão reticente quanto à universalização do cartão, restrito a diretores e profissionais selecionados?
Presença obrigatória nos bolsos executivos, o plástico é percebido mais como sinal de status que de controle financeiro. Uma questão cultural, diriam analistas apressados. Mas a resposta que associa a subutilização do cartão corporativo ao receio de uso indiscriminado pelo empregado não convence. Afinal, o brasileiro é conhecido por rapidamente assimilar processos econômica ou tecnologicamente vantajosos. E, com certeza, a reação à mudança é uma resposta simplista. Assim o mistério continua, contribuindo para o Custo Brasil.
O cartão corporativo permite o acompanhamento tão logo uma despesa ocorra graças à rastreabilidade, pois deixa pegadas auditáveis. Não há melhor maneira de assegurar quando, onde e como o dinheiro foi usado. Nenhum funcionário gasta o que não pode ou deve. Primeiro, há parâmetros que determinam o que pode ser gasto e os limites financeiros. Segundo: existem relatórios informando sobre desvios e garantindo a correção quase que imediata. E, por último, ninguém quer perder o emprego por mau uso de recursos.
O especialista Walter Teixeira da TX Consultoria lamenta que o uso inteligente do cartão de crédito corporativo esteja, em geral, restrito a multinacionais e companhias de grande porte, quando os benefícios deveriam ser conhecidos e utilizados por pequenas e médias empresas. Ele atribui essa tendência à forma como a comercialização é feita pelos bancos.
Acostumados a cumprir metas de dezenas de produtos, os gerentes acabam forçando a compra dos cartões corporativos pelas pequenas empresas, sem um bom trabalho de conscientização do uso adequado dos cartões. Assim, a ativação plena desse instrumento financeiro não ocorre pela falta de argumentos que interessam aos homens de negócios, como o potencial de economias que poderiam ser geradas, os descontos obtidos nas negociações, os ganhos de floating (prazo entre o depósito de um cheque em um banco e seu pagamento), a segurança das transações, o controle de gastos e a centralização de pagamentos, entre tantos outros.
"Os benefícios dos cartões para o mundo das viagens de negócios são inquestionáveis, pois trazem ao mesmo tempo economia, segurança e prestação de serviços", diz Teixeira. Ele, no entanto, ressalta que a pequena empresa deveria utilizá-lo para outros tipos de contas, como despesas de escritório e gerais, inclusive pagamentos como aluguel, luz, entre outros. "Para isso é necessária uma visão mais ampla pelos bancos."
* Fabio Steinberg - Jornalista, trabalhou na IBM, AT&T e TV Globo, entre outras, e desconfia que durante a revolução tecnológica que está mudando o mundo o criador perdeu controle sobre a criatura. Aqui, denuncia maus tratos da máquina e seus operadores sobre seres humanos.
Jornal de Itu
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