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Mulheres: Programa ajuda na integração à economia formal
Em mercados emergentes, a maioria das trabalhadoras é autônoma e recebe rendas baixas e irregulares.
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19/02/2010 - Rob Goldsmith - THE NEW YORK TIMES
Em países da América Latina, onde há muitos trabalhadores migrantes, as mulheres, em geral, precisam tomar conta das famílias, aceitando empregos como cabeleireiras, artesãs, cozinheiras e babás.
Estas mulheres são, em geral, parte da economia informal, vendendo o que fazem em mercados informais. Para ajudá-las a se juntar à economia formal, o Instituto Europeu de Administração (Insead, na sigla em inglês) tem participado de um programa recém-criado para 10 mil mulheres.
É uma oportunidade incrível para ajudar as mulheres que trabalham a se tornarem parte da economia real, diz Lourdes Casanova, palestrante de estratégia do Insead e participante da iniciativa global para ensinar habilidades administrativas básicas a mulheres que trabalham em países em desenvolvimento em todo o mundo.
O Goldman Sachs, que está doando US$ 100 milhões (ou US$ 1 mil para cada mulher) em cinco anos, iniciou o programa em março de 2008.
Oferecendo acesso a uma educação de gestão e negócios da classe mundial, o dinheiro ajudará a melhorar as habilidades empreendedoras de mulheres que trabalham em 16 países.
As alunas se matriculam em programas criados localmente de cinco semanas a seis meses que incluem cursos como marketing, contabilidade, pesquisa de mercado, elaboração de planos de negócios, planejamento estratégico e e-commerce.
Abrir portas O objetivo desses programas é abrir portas para mulheres cujas circunstâncias financeiras e práticas evitariam, de outra forma, que elas recebessem uma educação tradicional de administração.
Pesquisa conduzida pelo Goldman Sachs, pelo Banco Mundial, entre outros, sugere que um programa como esses pode elevar as rendas, aumentar empresas de mulheres, e formar famílias mais saudáveis e com melhor educação e comunidades mais prósperas.
Além do Insead, mais de 30 das principais escolas de negócios do mundo estão participando do programa, incluindo Harvard Business School, Wharton School da Universidade da Pensilvânia, Said Business School da Universidade de Oxford, Indian School of Business, School of Economics and Management da Universidade de Tsinghua e Fundação Dom Cabral no Brasil.
Entre os parceiros não acadêmicos estão Ashoka, Vital Voices e Centro Internacional de Pesquisa sobre Mulheres.
Tanto o Insead quanto a Fundação Dom Cabral, com as quais tem uma parceria, participam da criação e da implementação do currículo. Enquanto o Insead ajudará a planejar a organização e o conteúdo do programa, a Fundaccedil;ão Dom Cabral ensinará os cursos em português. A partir das observações, o Insead também vai elaborar dois estudos de casos sobre mulheres no mercado de trabalho.
Aulas no Brasil Mulheres em todo o mundo têm expressado forte interesse em entrar no programa. A aula inaugural do Brasil teve 800 candidatas a 80 cargos. Desse número, 100 mulheres entraram no programa em seu primeiro ano em novembro de 2009.
O programa é gratuito para as mulheres selecionadas. No Brasil, um total de 500 mulheres será escolhido. Para se qualificar, as candidatas precisam ter administrado os próprios negócios por pelo menos dois anos e concluído o ensino médio.
Como apenas 14% dos empresários brasileiros têm formação universitária e 30% ainda não concluíram o ensino médio, o programa não está restrito a mulheres que têm graduação e que sabem inglês.
- Queremos ter um impacto na vida dessas mulheres, maioria das quais nunca sonhou em ter educação de uma escola de prestígio - observa Lourdes.
Sem dúvida, o programa vai impactar de forma significativa as vidas das empreendedoras selecionadas, bem como de suas famílias e comunidades, no Brasil e em outros países em desenvolvimento em todo o globo.
Mas seus efeitos poderiam ir mais longe do que isso. Ao mesmo tempo em que o programa mira nos mercados emergentes, ele também estabelece parcerias entre escolas dessas áreas e escolas de negócios na Europa e nos EUA.
À medida que essas parcerias se desenvolvem e se fortalecem, as escolas terão muito a aprender umas com as outras. O programa também levanta uma série de questões sobre o papel das escolas de negócios hoje.
- Isso nos obriga, nos EUA e na Europa, a nos fazer algumas perguntas interessantes - explica Lourdes. - Qual é o propósito de uma escola de negócios? É apenas educar a elite? Qual é a nossa contribuição para a sociedade, porque, afinal de contas, esse tipo de público também existe em nossos países? E como você valoriza o sucesso? Para muitas empreendedoras, às vezes, apenas sobreviver é sucesso suficiente
As alunas se matriculam em programas criados localmente de até seis meses.
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