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Cristo, o Grande Comunicador

Como todo grande líder, Cristo fazia da comunicação um de seus alicerces. Ele comunicava-se exemplarmente no três níveis: intrapessoal (consigo mesmo), interpessoal (com as pessoas) e suprapessoal (com Deus).

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17/02/2016 - Ernesto Berg*

Por Ernesto Berg

Conheço pessoalmente alguns dos maiores empresários e executivos de nosso país. Um ponto em comum a quase todos eles reside na sua grande capacidade de comunicação, de saber vender ideias e, também, de ouvir às pessoas. Por igual, tenho visto essas mesmas características em bons gerentes, supervisores e pessoal técnico. É de admirar como essas pessoas conseguem obter resultados incomuns de pessoas comuns, muitas vezes dando ênfase em alguns pontos da comunicação. Peter Drucker, o papa da administração moderna, afirmava que 60% dos problemas administrativos das empresas são frutos da má comunicação.

Como todo grande empreendedor e líder, Cristo fazia da comunicação um de seus alicerces. Comunicação ampla, em todos os sentidos, porque ele não apenas comunicava-se com as massas, como também com seus discípulos e, sobretudo, com Deus, fonte de toda sua sustentação e poder. Jesus comunicava-se exemplarmente no três níveis: intrapessoal (consigo mesmo), interpessoal (com as pessoas) e suprapessoal (com Deus).

1) Comunicação Intrapessoal: Consciência plena de sua missão
No aspecto intrapessoal, Jesus tinha total consciência de sua missão na Terra. “Eu vim para que tenham vida e a tenham com abundância”. João 10.10b

A vida a que ele se refere é a capacidade de restaurar e revivificar o corpo, mente e espírito do ser humano e torná-lo consciente de sua verdadeira natureza: um ser criado à imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1.27). As pessoas de sua época encontravam-se narcotizadas e hipnotizadas pelas aparências do mundo físico (e atualmente ainda muito mais) ignorando as suas verdadeiras origens. Para trazer vida a alguém é necessário, primeiramente, ter vida para dar, o que se consegue somente pelo autoconhecimento e pelo conhecimento de sua missão.

Cristo tinha plena consciência dessa missão, conforme evidencia esta passagem, ao ler na sinagoga, perante os sacerdotes, a seguinte passagem do livro de Isaías: “O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me a curar os quebrantados do coração, a apregoar liberdade aos cativos, a dar vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos, a anunciar o ano aceitável do Senhor.” Lucas 4.18 e 19. Na continuação Jesus afirma: “Hoje se cumpriu esta Escritura”. Lucas 4.21
Ele estava perfeitamente alinhado com a sua missão e não tinha conflitos pessoais a respeito. O ego - fonte de tantos desatinos e descaminhos -, na pessoa de Cristo, estava sob total domínio do espírito que vivifica.

2) Comunicação Interpessoal: Diálogo e interação com a multidão
Entende-se por comunicação interpessoal a capacidade de comunicar-se, de dialogar e de entender aos outros, bem como a de fazer-se compreender. Jesus foi mestre consumado neste quesito. Sabia o que interessava às pessoas, do que elas necessitavam e como transmitir-lhes as mensagens. Como repassar conhecimentos, verdades espirituais e conceitos de difícil compreensão em uma época onde as pessoas ignoravam e eram alheias a respeito de suas origens e heranças espirituais?

Cristo, como ninguém, até hoje, encontrou a resposta a essas questões, utilizando um instrumento simples, mas muito eficaz: a parábola. Desse modo conceitos da mais elevada estatura espiritual, eram transmitidos de maneira tão simples que até mesmo uma criança seria capaz de entendê-los. “E com muitas parábolas lhes dirigia a palavra, segundo o que podiam compreender.” Marcos 4.33

“Outrossim, o Reino dos céus é semelhante ao homem negociante que busca boas pérolas; e encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha e comprou-a.” Mateus 13.45. Um verdadeiro empreendedor empenha tudo o que tem para adquirir o que tem valor. Os grandes empresários (me refiro aos éticos e honestos), conhecem bem essa situação. Pagam o preço por algo que vale a pena. É por isso que são bem-sucedidos também em outras áreas de suas vidas.

No plano espiritual dá-se o mesmo. O Reino dos céus é o Reino de Deus, a pérola de grande valor é a verdade espiritual que liberta e dá poder a quem se coloca sob a guarda desse reino (Deus), desde que venda tudo o que tem em troca da pérola, isto é, desde que se livre de suas limitações, seu egoísmo e suas fraquezas. Não é uma troca justa? Só que a maioria prefere não fazer essa permuta, esse “negócio da China”, e escolhe continuar com os seus bem nutridos egos, em vez de adquirir a pérola de grande valor.

Contudo, não só por parábolas, mas também através de perguntas socráticas Jesus revelava sua sabedoria: “Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?” Mateus 16.26. Pergunta bem incomodativa, não é? Jesus coloca a resposta no âmago de cada um e, com isso, provoca um autoexame de sua conduta no mundo. Ele sabia que através de perguntas ele estaria forçando o interlocutor a pensar numa resposta e a procurar uma solução para a indagação. Ele sabia fazer boas perguntas e as utilizava frequentemente.

Nos meus tempos de gerente do Serpro, em Brasília, conheci Rodolfo Rocha, um simpático e competente consultor de empresas de São Paulo, que revelava muita habilidade para encontrar soluções. E a forma pela qual ele achava as soluções era através de “boas perguntas”, dizia ele. “Se você fizer as perguntas certas, as respostas aos problemas surgirão automaticamente”, costumava afirmar. “O negócio é fazer boas perguntas”, arrematava.

Outra pergunta socrática de Jesus, agora ao seu discípulo Felipe, diante da multidão no deserto que veio para ouvi-lo e estava esfomeada: “Onde compraremos pão, para estes comerem?” João 6.5b. Ele sabia que naquele lugar desabitado não haveria como adquirir alimento. A pergunta foi feita para espicaçar. Jesus instigava seus discípulos, para testá-los. “Que resposta me darão?”, deve ter pensado. “Será que eles entenderam o motivo da pergunta e quem eu sou? Pois se não souberem como poderão levar a minha mensagem adiante, no futuro? De que forma se comunicarão com as pessoas se permanecer o vácuo da ignorância em suas almas?” Cristo mesmo respondeu à sua pergunta realizando o milagre da multiplicação dos pães e peixes.

O maior momento de comunicação de Cristo com a multidão aconteceu no Sermão da Montanha, sobre o qual falarei em outro artigo.

3) Comunicação Suprapessoal
Trata-se da comunicação com Deus, nosso criador. Aqui, novamente, Cristo dá exemplos repetidos em sua vida, da íntima comunhão que privava com o Pai Celestial. Encontrava-se alinhado com Ele 24 horas por dia. O canal de comunicação entre ambos era inteiramente desimpedido e desbloqueado, daí advém o poder e a autoridade de Cristo. Era uma conexão tão íntima, a ponto de afirmar: “Eu e o Pai somos um”. João 10.30.

Afirmação arrogante ou presunçosa? Certamente não, pois a sua vontade não estava
contaminada pelo ego, mas provinha de Deus: “Na verdade vos digo que o Filho (Jesus) por si mesmo não pode fazer coisa alguma, se o não vir fazer ao Pai, porquanto tudo que ele faz, o Filho o faz igualmente.” João 5.19. É o triunfo de Deus sobre o ego limitante do ser humano.

Como estabelecer esta comunicação? Jesus deixa tácito que ele é o caminho - a comunicação mesma -, e que a conexão com Deus é estabelecida e alavancada principalmente de três maneiras: a oração, a meditação na Palavra e o louvor.

Texto extraído e condensado do livro não publicado “O Maior Empreendedor do Mundo”, de Ernesto Artur Berg.

Ernesto Berg é consultor de empresas, professor, palestrante, articulista, autor de 15 livros, especialista em desenvolvimento organizacional, negociação, gestão do tempo, criatividade na tomada de decisão, administração de conflitos.
Editor do site www.quebrandobarreiras.com.br
Email: berg@quebrandobarreiras.com.br

 



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